Do UOL

O plenário da Câmara dos Deputados foi palco de um protesto hoje durante uma sessão solene em homenagem aos 131 anos da assinatura da Lei Áurea, que deu fim à escravidão no Brasil em 1888. Em discurso, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) afirmou que era a “escravidão é tão antiga quanto a humanidade” e, por esse motivo, “é quase um aspecto da natureza humana”.

A declaração não foi bem recebida pelo público presente na Casa, a maioria ligada ao movimento negro. O discurso do parlamentar foi interrompido por gritos de “luta, resistência e sobrevivência”.

Orleans e Bragança, conhecido como “príncipe” por ser um dos herdeiros da Casa Imperial, argumentava que há registros de escravidão em vários momentos da história, incluindo os povos indígenas e tribos africanas. “Independente de raça, sim, mas entre si. Faz parte do aspecto do ser humano”, discursou, antes de ser interrompido pelos manifestantes.

Durante mais de dez minutos, com o apoio de deputados da oposição, integrantes do movimento negro exclamaram palavras de ordem contra o pesselista, além de gritos em defesa da população negra, como “parem de nos matar”. No ápice do ato, os presentas cantaram o samba da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, vencedor do Carnaval deste ano no Rio de Janeiro.

A composição faz referências à “história que a história não conta”, em homenagem a heroínas negras como Luiza Mahins e Dandara dos Palmares. Há também menção a Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em março deste ano, no Rio.

Do outro lado, defensores da monarquia e correligionários de Orleans e Bragança tentavam responder. A sessão acabou sendo suspensa devido ao clima de hostilidade no plenário.

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