Do UOL

Uma proposta une deputados de espectros políticos antagônicos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Assinado por 11 parlamentares, entre eles Carlos Giannazi (PSOL) — célebre militante da esquerda — e Gil Diniz (PSL), conhecido como “carteiro reaça”, o projeto de resolução quer eliminar a obrigatoriedade da gravata do regimento interno da casa.

“Em que pese a importância da ritualística e da tradição inerentes aos Poderes do Estado, certas exigências nas vestimentas se mostram inúteis e desnecessárias para os tempos atuais – ainda mais em locais quentes como é o caso do Brasil”, dizem os deputados na justificativa para o projeto.

Pelo texto atual do regimento interno, os parlamentares do sexo masculino são obrigados a utilizar terno e gravata. O parágrafo único deste artigo diz ainda que, caso o deputado não cumpra essa norma, não poderá permanecer no plenário.

A proposta foi publicada no dia 8 no Diário da Assembleia. E, pelo que se vê até agora, deve ser aprovada por deputados que costumam divergir em outros temas – como Gianazzi, contrário à reforma da previdência e à maioria das pautas do governo de Bolsonaro (PSL), e Diniz, cada vez mais próximo do presidente e do partido.

Na última segunda-feira (10), o “carteiro reaça” assumiu a vice-presidência do PSL em Sâo Paulo — o filho do meio do presidente, Eduardo Bolsonaro, encabeça o diretório paulista.

O projeto precisa de maioria simples para ser aprovado, contudo, segundo o regimento da Alesp, são necessários dois turnos de votação e discussão.

Concordância não é inédita

Apesar das divergências, Giannazi e Diniz já concordaram em algumas pautas no plenário da assembleia. Em maio, após discurso do psolista com críticas à situação de escolas públicas no estado, Diniz endossou o parlamentar e cobrou o governador João Doria (PSDB).

“A gente convida os pais pra até trazer as denúncias [das condições das escolas] pra gente, pra que a gente possa fiscalizar. E cobrar do secretário, do senhor governador, que é papel deles dar o mínimo à essas escolas, a estes professores e, principalmente, aos nossos alunos”, disse Diniz.

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