Chama o Mourão

Este governo recém-nascido é tão, mas tão surreal, que um personagem com o perfil do general Hamilton Mourão acabou se tornando o mais apaziguador da turma que forma o entorno do presidente. Vocês não leram errado, não. É isso mesmo! O outrora falastrão candidato a vice, afeito à declarações desastrosas, é, hoje, a figura de proa mais moderada dessa administração; a quem – pasmem! – os demais generais do Exército e representantes do primeiro escalão recorrem na hora de tentar apagar os incêndios causados, justamente, por quem deveria ser o mais ponderado do grupo: o senhor Jair Bolsonaro.

Com viagem marcada ao Recife, onde receberia, hoje, o título de cidadão na Câmara Municipal, o vice-presidente teve de cancelar a agenda às pressas para ficar em Brasília. O motivo, como este blog antecipou com exclusividade, foi o fato dele ter sido convocado para contornar mais uma crise criada pelo chefe. Em um discurso de apenas cinco minutos – imagina se ele fala mais?! -, Bolsonaro conseguiu dizer que só há Democracia no Brasil porque as Forças Armadas querem. Pronto, a fala caiu como mais uma bomba e gerou um novo imbróglio na República. “E agora, quem poderá nos ajudar?”, perguntaram na Caserna. “Chama o Mourão!”, devolveram os generais.

Já que é indemissível, o vice pode passar os recados da cúpula do Exército a Bolsonaro, além de expressar as suas próprias opiniões com mais liberdade que os ministros, por exemplo. A crescente preocupação com os rompantes do presidente, seu gênio indomável e a influência negativa dos seus filhos trapalhões está chegando ao chefe do Executivo pelo seu segundo em comando. A crise do golden shower no Carnaval, somada às declarações de ontem, jogaram mais lenha na fogueira dos que já falam em Impeachment. Nem a Live que Bolsonaro fez conseguiu abafar o assunto.

O problema maior é se Mourão, a exemplo de Michel Temer, for picado pela Mosca Azul do poder e passar a desejar a cadeira de Bolsonaro (se já não foi); começando a tramar com militares insatisfeitos e congressistas revoltados o afastamento do zero um. Motivo para tal não é bem um empecilho. Se não tiver, se arruma – vide as “pedaladas” de dona Dilma Rousseff. Em um governo imponderável como o atual, tudo pode acontecer. É torcer para que todos se acalmem. Afinal, já temos muitos gargalos para solucionar e uma crise econômica para superar.

Bolsonaro Influencer – A fala de Bolsonaro mais cedo foi tão atrapalhada que, à noite, o presidente fez uma Live para comentar essa e outras polêmicas, como o aumento dos cartões corporativos e a Previdência. Colocou o general Augusto Heleno, ministro do GSI, para negar que ele tenha dito o que disse, condicionando a Democracia brasileira à vontade dos militares. Bolsonaro assumiu de vez seu lado Digital Influencer. Vai fazer toda quinta um ao vivo para avaliar o que saiu na mídia. Deve estar sem ter o que fazer. Já não basta a verborragia do Twitter?

Bolo Tributário – Já que o presidente Bolsonaro quer tanto promover discussões nas redes sociais, aqui vai uma sugestão. Por que ele não aceita dividir o bolo tributário da União de uma forma mais equânime com os municípios? O ano passado, último do Governo Temer, fechou com 19% de participação das prefeituras na repartição de tudo o que foi arrecadado, quando essa percentual deveria ficar entre 23% e 24%. Que tal subir para, no mínimo, 40% em 2019, seu Jair?

Dia da Mulher – Este oito de Março chama atenção para fatos importantes referentes às mulheres na política pernambucana. Apesar da pouca participação no Congresso, apenas com Marília Arraes, temos, pela primeira vez, uma vice-governadora, Luciana Santos, que assumirá interinamente. Na Alepe, são 14 (contando com as Juntas). Além da experiência exitosa das codeputadas nas urnas, tivemos a campeã e a vice de votos para estadual e federal: Gleide Ângelo e Marília. Política é lugar de mulher, sim!

Mal-estar – Por falar nas Juntas, está gerando um mal-estar entre os colegas a participação delas nas reuniões das comissões na Alepe. Pelo regimento, só quem pode estar presente é Jô Cavalcanti, que foi diplomada e tomou posse normalmente. As outras codeputadas, nomeadas formalmente assessoras, devem apenas acompanhar os encontros; o que não tem acontecido já que elas têm participado. A experiência de um mandato compartilhado é interessante, mas há ajustes a serem feitos.

Drops 

CRESCIMENTO – Dados preliminares da Secretaria de Turismo e Lazer mostram que a média de ocupação hoteleira nos municípios sede do Carnaval ficou em torno de 95%, com destaque para o Recife (98,3%) e Olinda (99%); além de Belém de São Francisco, Bonito, Gravatá, Jaboatão, Surubim e Triunfo; esses com 100% de ocupação. O bom resultado aponta um crescimento de 6% em relação a 2018.

UTI – O deputado estadual Sivaldo Albino enviou indicação ao secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, solicitando a implantação de uma UTI Neonatal no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. A demanda é uma antiga reivindicação da comunidade médica que atende na unidade de saúde e do povo da região.

“BREGALIZANDO” – Depois de uma reivindicação do movimento Brega, o ritmo ganhou um polo exclusivo em Casa Amarela, no Recife. O “Bregalizando na Rua” teve sua primeira edição, ontem, nos resquícios do Carnaval, com shows do Conde e das bandas Sedutora e Torpedo. O vereador Hélio da Guabiraba, que apoia a causa, esteve presente.

Perguntar não ofende: quem consegue segurar Bolsonaro?

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